A FORMA DE ARTE
O Bamboo Cirque e a Lune Production
De onde vem Làng Tôi — a companhia que reinventou o circo vietnamita com bambu e música folk ao vivo.
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Làng Tôi é um "circo de bambu" — uma forma que combina habilidades circenses contemporâneas, trabalho aéreo, contorcionismo e malabarismo com imagética folclórica vietnamita e música tradicional ao vivo. Em vez de lantejoulas e holofotes, as suas matérias-primas são varas de bambu, cestos tecidos e os movimentos da vida aldeã. O bambu é tanto cenário como aparelho: as mesmas varas que se tornam uma ponte tornam-se algo para escalar, balançar e equilibrar. É o circo reinventado para contar uma história enraizada e local.
Produção Lune
O espetáculo pertence à Lune Production, a companhia que mais fez para levar esta forma de circo de bambu a públicos internacionais. Os seus espetáculos partilham uma linguagem — bambu, música folclórica ao vivo, narrativa sem palavras, uma companhia de acrobatas-bailarinos — mas cada um encena um recanto diferente da vida vietnamita. Làng Tôi esteve entre as obras que estabeleceram o estilo, com digressões internacionais antes de se fixar em temporadas regulares no seu país. Reservar um dos seus espetáculos é a forma mais simples de assistir a esta performance contemporânea genuinamente vietnamita.
A empresa em destaque
O espetáculo A Làng Tôi é conduzido por uma companhia modesta — na ordem dos quinze a dezoito artistas — que trabalha em estreita coordenação, pois erguer uma ponte ou a estrutura de uma casa de bambu é um feito de sincronização coletiva tanto quanto de habilidade individual. Num teatro intimista, vê-se esse trabalho de equipa de perto: o passar e encaixar das varas, os músicos que se movem a cada cena, a aldeia inteira construída e habitada por um pequeno conjunto. É o oposto de um espetáculo de arena — à escala humana, detalhado e presente.
Tradição tornada contemporânea
O que torna o espetáculo verdadeiramente cativante é o encontro entre o antigo e o novo. Os instrumentos, as melodias folclóricas, as imagens rurais e o próprio bambu são tradicionais; o vocabulário circense, a encenação e a narrativa sem palavras, conduzida por imagens, são modernos. Làng Tôi não preserva a vida da aldeia sob uma redoma de vidro — antes a põe em movimento num palco contemporâneo. Para quem visita, oferece algo que nem um museu nem uma discoteca conseguem: uma versão viva e artística do Vietname que moldou o país.